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Metodologia

Descrição Geral e Metodologia
Nesta secção apresentamos o Projecto da Bússola Eleitoral do ponto de vista metodológico: identificam-se as fases distintas do processo de construção desta plataforma de posicionamento político em Portugal, e explicam-se os métodos utilizados em cada uma delas. Pretendemos também apresentar as funcionalidades da Bússola Eleitoral.

Um exemplo de uma questão da Bússola Eleitoral
"O sector privado deveria ter um papel muito limitado no sistema de ensino." Esta é apenas uma das 28 frases em relação à qual se pede ao utilizador o seu grau de concordância ou discordância, posição essa que vai ser confrontada com as posições dos partidos para estas eleições de 2009. Confrontando as suas respostas a esta e outras questões com as posições dos partidos, os utilizadores poderão determinar a sua proximidade genérica das suas preferências ideológicas em relação às propostas dos partidos, assim como o grau de concordância em relação a todas as questões colocadas. Assim, a primeira função da Bússola Eleitoral é a de fornecer aos eleitores informação precisa e imparcial sobre a posição dos partidos políticos num conjunto de questões pertinentes na agenda das eleições de 2009.  Por outro lado, a Bússola Eleitoral permitirá também aos académicos uma análise aprofundada da relação entre o posicionamento ideológico e o comportamento de voto, através da utilização anónima dos dados das respostas ao questionário. Para mais informações, consulte a secção "Utilização dos Dados".

A Selecção dos Partidos
Uma ferramenta da natureza da Bússola Eleitoral deve, idealmente, incluir o máximo de partidos possível. Contudo, devido a razões de ordem prática e técnica, tal cenário nem sempre é possível. A equipa da Bússola Eleitoral tentou incluir o maior número de partidos possível. Todos os partidos que presentemente têm deputados eleitos à Assembleia da República foram incluídos. Para além destes, foram apenas excluidos aqueles que não responderam ao pedido de auto-posicionamento realizado pela equipa da Bússola Eleitoral ou de fornecimento de documentação adequada que apoiasse esses posicionamentos. Deve, contudo, ser notado que a responsabilidade de selecção dos partidos a incluir neste projecto é da responsabilidade exclusiva da equipa da Bússola Eleitoral.

A Selecção das Questões
A selecção das questões a realizar é um dos pontos mais críticos e sensíveis na elaboração de um projecto como a Bússola Eleitoral. As questões devem obedecer, no fundamental, a três critérios. Primeiro, devem incidir sobre questões correntes da governação. Segundo, devem cobrir um grande número de áreas das políticas públicas. Por último, devem potenciar a diferenciação entre os vários partidos políticos. Projectos semelhantes lançados anteriormente permitiam aos partidos que escolhessem eles próprios os temas em que se queriam posicionar. Tal situação abria a possibilidade de que os partidos políticos enfatizassem ou desenfatizaseem determinadas questões, de acordo com a sua agenda eleitoral. Depois de analisar várias possibilidades, a equipa da Bússola Eleitoral desenvolveu um método alternativo com maior imunidade à manipulação, garantindo uma maior neutralidade. Os programas partidários e um vasto conjunto de declarações públicas e programáticas foram analisados para perceber não só a frequência das referências a determinada política pública, mas também a saliência com que os partidos políticos discutem questões individuais. Recorreu-se também aos programas partidários de 2005, opiniões de grupos de especialistas, académicos e jornalistas. As várias contribuições foram, então, analisadas, sendo incluídas as questões mais referenciadas. Foram, então, criadas seis categorias, as quais cobrem as principais áreas das políticas públicas em Portugal.

A Codificação dos Partidos
Na codificação do posicionamento dos partidos nas várias questões foi seguida uma estratégia análoga à utilizada na própria selecção das questões. Por um lado, os partidos tiveram a possibilidade de realizar um "auto-posicionamento", através da resposta ao questionário. Por outro lado, o posicionamento de cada partido foi analisado atentamente por uma equipa de cientistas políticos, os quais decidiram as posições finais a atribuir a cada partido, através de um conjunto de fontes, organizadas hierarquicamente, sendo a mais importante os programas eleitorais produzidos pelos próprios partidos. Em matérias para as quais os programas partidários não tinham qualquer referência, ou tinham informação insuficiente, os investigadores analisaram debates parlamentares, media, discursos dos líderes e outras fontes secundárias. O auto-posicionamento dos partidos e a codificação dos investigadores foram então comparados. Nos casos em que se verificaram discrepâncias, o partido foi contactado no sentido de fornecer maior apoio documental à posição expressada. Não obstante, a decisão final acerca do posicionamento de cada partido foi da inteira responsabilidade da equipa da Bússola Eleitoral. À medida que os programas eleitorais para 2009 forem disponibilizados pelos partidos, a Bússola irá, sempre que possível, incorporando essa informação.

A Utilização dos Dados
A ferramenta da Bússola Eleitoral tem um vasto conjunto de potencialidades. Permite ao utilizador (eleitor(a)) avaliar as suas preferências políticas e compará-las com as posições dos partidos políticos portugueses. Sob o ponto de vista académico, esta ferramenta tem inúmeras vantagens. Em primeiro lugar, porque serve para coligir uma quantidade de dados sobre os partidos políticos em Portugal de forma imparcial. Em segundo lugar, porque a recolha dos posicionamentos dos individuos pode ser posteriormente tratada para compreender o perfil ideológico dos respondentes e sua relação com o comportamento eleitoral.

Os resultados da "Bússola Eleitoral"
A Bússola Eleitoral produz um gráfico bidimensional e uma lista de concordância partidária.
O gráfico bidimensional resulta da comparação entre o posicionamento ideológico médio do utilizador com os posicionamentos ideológicos médios dos partidos em duas dimensões. A primeira (Esquerda vs. Direita), no eixo horizontal, representa as posições dos partidos e do utilizador no que respeita a temas socioeconómicos. A segunda (Tradicional-nacionalista vs. Libertário-cosmopolita), no eixo vertical, representa as posições dos partidos e do utilizador no que respeita a temas ligados aos valores morais e à soberania nacional em relação ao processo de integração europeia. Cada um destes eixos varia entre -2 e +2. O resultado da Bússola é representado graficamente através de um lápis, que marca o posicionamento médio do utilizador em cada um dos eixos. Em torno desse ponto está desenhada uma elipse que representa os desvios-padrão do posicionamento médio do utilizador em cada uma das duas dimensões. Existe ainda a opção de incluir ou excluir áreas das políticas públicas, percebendo de imediato os efeitos que tais alterações produzem no seu resultado final. Com esta funcionalidade, os utilizadores podem ainda verificar as alterações produzidas nas posições dos partidos políticos.
Com base nestes cálculos para o gráfico bidimensional surge uma janela mostrando qual o partido de que, em média, o utilizador está mais próximo, e qual aquele partido de que se encontra, em média, mais afastado.
O utilizador poderá também analisar a concordância entre o seu posicionamento e o posicionamento dos partidos para cada questão. Estes resultados são apresentados em percentagem de concordância por àrea das políticas públicas (de 0 a 100). A “Lista de Concordância Partidária” resume o grau de concordância entre o posicionamento do utilizador e o posicionamento de cada partido político para as 28 questões.
 O partido do qual se está mais próximo, em média, no gráfico bidimensional não é necessariamente o partido com o qual se tem um índice de concordância mais elevado. Apesar de, em média, um utilizador poder ter uma posição igual ao de um determinado partido em qualquer um dos eixos, isto não significa que, para essa média, tenham contribuído posições exactamente iguais em relação às manifestadas pelo partido em cada uma das 28 questões. Logo, os dois tipos de resultados - proximidade em termos de posicionamento médio e lista de concordância com os partidos - devem ser vistos como alternativos e analisados em conjunto.

Método de Cálculo para o Posicionamento Médio na Bússola Eleitoral
As plataformas gráficas de posicionamento político-ideológico semelhantes à Bússola Eleitoral fornecem um guia eleitoral através da comparação das posições pessoais dos utilizadores com as posições dos partidos políticos. A Bússola Eleitoral baseia-se na ideia teórica de que é possível agregar posições individuais em torno de um número limitado de dimensões. Na representação gráfica oferecida ao utilizador, comparando a sua posição com a dos partidos, essa posição é a média agregada de todas as suas posições em cada uma das duas dimensões. Assim, a Bússola Eleitoral agrega as preferências por dimensão, baseando-se num modelo euclideano de distância para combinar as preferências individuais por dimensão. Subsequentemente, a distância entre o utilizador e cada um dos partidos é calculada tendo em conta a média cumulativa das posições para cada partido e a posição média de cada utilizador nas duas dimensões apresentadas. Depois, são calculadas ainda as distâncias entre os dois eixos. As posições médias dos partidos e do utilizador nas duas dimensões são apresentadas de forma bi-dimensional no ecrã, criando um distância Euclidiana entre o votante e o partido.

O Cálculo das Posições na Bússola Eleitoral
O posicionamento político-ideológico consiste em duas dimensões (eixo x e eixo y), cada um com dois pólos, de -2 a +2. Nestes eixos, o x=-2 consiste em respostas de esquerda na dimensão socioeconómica, ao passo que o x=+2 consiste em respostas de direita nesta mesma dimensão. No eixo y, y=-2 corresponde à posição mais tradicional-nacionalista, ao passo que y=2 corresponde à posição mais libertária-cosmopolita. As questões da Bússola Eleitoral estão desenhadas para corresponderem a uma única das duas dimensões tratadas. Concordar totalmente com determinada frase será equivalente a dois pontos positivos nesse eixo, ao passo que tender a concordar atribuir-lhe-á um ponto. A resposta "neutro" dará 0. Por outro lado, a resposta "tende a discordar" atribuir-lhe-á -1, ao passo que a resposta "discorda totalmente" dará -2. A média aritemética do partido, assim como as suas posições nos dois eixos em todas as 28 questões, será mostrada graficamente num espectro bi-dimensional. Quando domínios políticos (como por exemplo "Finanças e impostos") são incluídos ou excluídos, as questões relativas a esse domínio são incluídas ou excluídas do cálculo aritemético da posição.

Método de Cálculo para a Lista de Concordância Partidária
O perfil político de um utilizador é definido em função das respostas ao questionário da Bússola Eleitoral. O perfil de cada utilizador é baseado no questionário, o qual é composto por 28 afirmações sobre questões políticas e sobre valores. Para se posicionar em relação a cada uma destas afirmações, foram consideradas as seguintes opções: "Concorda totalmente"; "Tende a concordar"; "Neutro"; "Tende a discordar"; "Discorda totalmente". Há também a possibilidade de escolher "Sem Opinião". Este perfil é comparado com o perfil de cada partido. Numa primeira fase, são atribuídos valores às respostas individuais dos partidos políticos e do utilizador: Concorda totalmente 100; Tende a concordar 75; Neutro 50; Tende a discordar 25; Discorda totalmente 0. Depois, as respostas do utilizador são comparadas com as dos partidos políticos e o chamado "score de concordância" é calculado com base na seguinte fórmula: MPi(v,c)=100-(aiv-aic) (1), em que MPi(v,c) representa a quantidade de concordância da resposta, combinando a percentagem do votante (v) com o partido (c) na questão i. Aiv representa a resposta do votante à questão i, ao passo que aic representa a resposta do partido à questão i.